POESIA E REVISTAS CULTURAIS: SINTOMAS FINISSECULARES

 

Maria Lucia de Barros Camargo – UFSC

 

 

Fim de década, fim de século, fim de milênio: passagens potencializadoras do imaginário apocalíptico, momento propício, sem dúvida, aos balanços e inventários.que Esta necessidade de inventariar manifesta-se sob muitas roupagens: pode ser encontrada na proliferação de antologias – sejam elas da década, ou do século -, na elaboração das infindáveis listas do tipo “os melhores poemas do século”, ou os melhores filmes da década, ou seja lá os melhores do que for (e porque não também dos piores?). O inventário pode ainda se revestir de estudos de variados tipos, ensaios que procuram mapear, definir, analisar, organizar, avaliar e, até, administrar o espólio e a parte que a cada um cabe neste latifúndio. Desejosos da grande amplitude, quando não da totalidade, tais esforços ordenadores são sempre temerários, já que estão fadados à incompletude e, portanto, ao fracasso enquanto projeto, apesar de seu possível, quando não provável sucesso de público.

Não desejo, aqui, nem fazer inventários, nem organizar balanços. Contento-me com o fragmento, com o recorte, consciente, no entanto, de que lidos sob o signo da exemplaridade, do sintoma ou da amostragem, acabam remetendo inevitavelmente ao campo minado da generalização. No entanto, há que se correr o risco.

Nesta década finissecular, assistimos a uma saudável proliferação de novas revistas literárias e culturais, signos de vitalidade de antigas práticas culturais sempre renovadas. São revistas bastante distintas entre si: diferentes perfis gráficos, que vão das edições em que o custo é visivelmente alto a aquelas cuja simplicidade pode ser melhor definida por palavras como austeridade ou singeleza, embora não se aplique, em nenhum dos casos, o adjetivo “artesanal”. Com distintas tiragens, em que o número de exemplares pode variar entre algumas centenas e muitos milhares, provavelmente tais revistas se destinam a públicos muito diversos, que tanto pode ser o que busca a fruição estética e nada tem de leitor ingênuo ou iniciante, como o interessado em adquirir apenas a quota de cultura necessária para o brilho nos salões emergentes na cena neoliberal. São, em suma, projetos editoriais muito diferentes, quando não incompatíveis entre si, mas que convivem sem muitos confrontos, pelo menos até agora.

Apesar das diferenças, ou até por causa delas, creio que se pode afirmar, com relativa segurança, que essa proliferação de revistas pode ser lida como sintoma de uma certa vitalidade no campo da cultura, mesmo que previamente à avaliação do que está sendo produzido, ou veiculado. Nelas, o espaço dedicado à poesia é bastante amplo, quando não exclusivo: publica-se muita poesia e muito sobre a poesia, demonstração inequívoca da vitalidade dessa forma cuja morte é sempre anunciada[1].

Pensadas como uma das redes da crítica, ou como formação[2] crítica, as revistas literárias e culturais podem nos ajudar a refletir sobre o perfil de uma época e, pensando no meu interesse aqui, é possível nos perguntarmos: que coisa é a poesia desses nossos tempos? Variedade de formas, mesclas entre linhagens, retomada de dicções, hibridização poética, tudo serão sintomas de um inevitável pluralismo, do vale-tudo, da exaustão contemporânea? Ou será possível ler nelas sinais de resistência à banalização estetizante, sem cair no conservadorismo nostálgico?

Ao longo do século XX, as revistas literárias e culturais atuaram como forma de organização do campo literário, constituindo o principal veículo da produção poética e, especialmente, das idéias e princípios estéticos de grupos que se articulavam, freqüentemente, em torno da própria revista. Expressão clara de um grupo e de sua proposta estética, a revista literária traçava seu campo de atuação, explicitava os antagonismos e convocava adesões publicando seus manifestos, suas palavras de ordem, e destinando-se, prioritariamente, a construir uma certa identidade que permitisse não apenas o reconhecimento por um público específico, mas a demarcação de um território simbólico. Circulavam em espaços restritos e geralmente por um curto espaço de tempo, distinguindo-se claramente tanto das “revistas ilustradas”, ou de variedades, dirigidas a um público mais amplo, como dos periódicos oficiais. Os exemplos mais típicos das “revistas literárias”, em sentido estrito, são as revistas modernistas, ou ainda as revistas “de vanguarda”, que tiveram como último representante forte, no Brasil, a concretista Invenção.

Ao que tudo indica, não há mais este tipo de revistas literárias, já que não há mais movimentos literários como o modernismo, já que não há mais vanguardas, já que, ao menos aparentemente, não há mais conflitos ou grupos em claro antagonismo, nem territórios a serem delimitados, havendo, portanto, espaço para todos. Em meio às várias revistas hoje em circulação, vou tomar aqui como objeto de reflexão três delas: Azougue, publicada em São Paulo desde 1996, Inimigo Rumor, publicada no Rio de Janeiro desde 1997,e Medusa, publicada em Curitiba desde 1998.

Tal escolha, como toda escolha, tem seu grau de arbítrio: tomei-as, primeiramente, pela disponibilidade, já que eu tinha em mãos uma coleção razoavelmente completa desses periódicos – os 10 números de Medusa, os 8 de Inimigo Rumor e 4 de Azougue[3] . Mas, além dessa disponibilidade, há outras motivações para tal escolha que passam por alguns pontos que essas revistas têm comum, a partir dos quais as diferenças podem ser observadas: as três revistas têm entre seus editores novos poetas, ou seja, poetas que iniciam a publicação de seus poemas nos anos 90. Embora com características gráficas bastante distintas, nenhuma delas é de ampla circulação, nem possuem vínculos institucionais acadêmicos.

As três revistas dão grande ênfase à poesia e, no caso da Inimigo Rumor, temos não apenas uma revista literária, mas uma revista estritamente dedicada à poesia. Apesar disso, as três revistas apresentam uma característica que, salvo melhor juízo, se aplica também à grande maioria das revistas literárias e culturais contemporâneas, senão à totalidade: a ausência de manifestos, ou de discursos explícitos e enfáticos de tomadas de posição que incitem os interlocutores a aderirem ou a recusarem um tipo de proposta ou de projeto estético ou ideológico. Mas isso não significa ausência de posições, ou indefinição estética. Vejamos primeiro, um pouco mais de perto, como é cada uma dessas três revistas.

 

Azougue

 

Termo usado para designar pessoas dotadas de muita vivacidade e esperteza, a palavra azougue, derivada do árabe az-zaug, é, segundo os dicionários, o nome popular do mercúrio, o argento-vivo, prata líquida, esse elemento ao mesmo tempo puro e híbrido, metal e líquido, inanimado e movente, que se fragmenta e se unifica com a mesma facilidade. Tais peculiaridades certamente atuaram nas construções imaginárias em torno do mercúrio, passando tanto pela alquimia quanto por outras simbologias esotéricas. Neste sentido, pode-se dizer que a escolha do nome para a revista, bem sintonizada com certas tendências atuais, remete a algumas das afinidades eletivas de seus editores, e desdobra-se no tecido textual traçado em suas páginas..

Nos quatro fascículos examinados, nenhum editorial, nenhuma explicação ao leitor, nenhuma numeração (nem dos fascículos, nem das páginas), nenhuma data de publicação. Ou melhor, nenhuma datação convencional, já que no exemplar mais antigo dentre os quatro examinados[4], na capa em que predomina o preto sobre o branco, traçando manchas de contornos pouco definidos, uma inscrição – “equinócio 96” – marca o ano e um dia, numa referência temporal também muito propícia a concepções cabalísticas. No verso da capa, no rodapé, uma informação similar e lacônica – Azougue/solstício – seguida de um endereço aparentemente residencial. No alto da mesma capa de dentro, uma foto do retrato falado do “unabomber” emoldura o nome do editor, Sergio Cohn, espaço que será respectivamente ocupado nos dois fascículos subseqüentes – Azougue / Várzea – 96 e Azougue / capa laranja (como designar um periódico que não designa seus períodos senão por outras características como a cor da capa?) – por um cartum que destaca o desenho de um narguilé, observado por um cãozinho, com a inscrição “Um cachimbo oriental” e por uma foto de Alice com asas de anjo. Tudo sem os devidos créditos ou quaisquer outros esclarecimentos ordenadores.

A foto do retrato-falado do “unabomber”, aliás um dos nomes que integra a caótica lista de “agradecimentos” neste mesmo número, denuncia algo de marginal, algo de explosivo, de anti-institucional que parece marcar Azougue, complementando o que talvez seja a única recomendação ao leitor e que faz, indiretamente, a definição do periódico: “Este fanzine é para ser lido ao som de...” , e segue-se, em cada número, o nome da canção escolhida e da banda que a executa, sempre no universo do rock. E esta orquestração parece comandar também a execução da revista, digo, deste fanzine. Neste outro detalhe significativo, as marcas das vinculações com um certo mundo pop, com a contracultura, com o rock e seus sucedâneos, com o anarquismo e com o surrealismo, tudo temperado por um certo viés místico oriental parecem dar o tom, e criar uma atmosfera muito, digamos, anos 60.

Em Azougue equinócio/96, o destaque da primeira matéria é para o poeta paulistano Roberto Piva, que inicia sua carreira como poeta nos anos 60, tendo participado da Antologia dos Novíssimos publicada em 1961, e mantêm uma produção poética enraizada no surrealismo e na contracultura. Recuperar esse grupo parece ser um dos propósitos da Azougue, a partir, inclusive, do contato com Roberto Piva como fio condutor. A matéria com o poeta fornece, de algum modo, o tipo de estrutura que se repetirá nos outros números: um depoimento sobre o contato com o poeta (como no caso dos editores sobre Piva ou do Antonio Bivar sobre Celso Luis Paulini ) ou uma entrevista, ou informes, sempre centrados na figura do poeta, seguidos de uma espécie de antologia, até bastante ampla para os limites de uma revista. Não há ensaios críticos. Apenas as eleições indicam o gosto, ou a preferência dos “azougueiros”, como se definem eles.

Dentre os eleitos encontramos Afonso Henriques Neto, Armando Freitas Filho, Rodrigo de Haro, Celso Luiz Paulini, Dora Ferreira da Silva, Michel McClure[5],Paul Eluard[6], apresentado através de um fragmento do “Itinerário de Pasárgada”, mas sem qualquer menção a Manuel Bandeira; o que nos dá um desenho das afinidades. Entram aindaCláudio Willer

Além de HQs e de algumas matérias sobre cinema e teatro, Azougue publica uma sessão de inéditos, ocupada quase exclusivamente por poemas dos próprios “azougueiros”, que prestam homenagens mútuas: Maurício dedica poemas ao Sérgio que dedica à Priscila e ao Danilo que dedica...etc., além, é claro, das homenagens aos novíssimos dos anos 60. De algum modo, esses poetas azougueiros parecem perseguir algo dessas raízes fincadas no surrealismo, nas idéias da anarquia e na contracultura dos anos 60[7]. Reivindicam também Jim Morrison, e recuperam a linhagem através de Artaud e Michaux.

E tudo isso faz/fez de Azougue uma revista que se aproxima daquela idéia de revista como expressão de um grupo, mas com uma diferença muito significativa e que se pode ler nas lacunas: não há manifestos, não há propostas “novas”, não se explicita o que atacar, nem o que defender diretamente. A indiferenciação do mercúrio parece generalizar-se, e o que fica são as escolhas dos gurus a serem reverenciados e um certo charme anárquico que poderia, talvez, se contrapor ao tipo de desordem ordenada da cena contemporânea.

No entanto, no que acredito seja o último número publicado da Azougue[8], o patrocínio estatal agora estampado parece ter-lhe roubado algo. Muito bem acabada graficamente, páginas com variações de papel de excelente qualidade, vestida de negro (digamos, mais um pretinho básico do que um velho capa preta), nela um bom espaço é dedicado ao teatro, ao cinema e às artes plásticas, além da poesia é claro, tudo compartilhado com muita fotografia, ensaios fotográficos e defesa dos índios e de suas poéticas[9]. Mantém a presença de caminhos do esoterismo, ou da sensibilidade zen, ou do tantra, algo de milenarismo, reforçando as escolhas gerais. Mas nestas páginas de luxo, agora devidamente numeradas, com índice geral da matéria bem destacado, em que algo mais ordenado visivelmente se apresenta, um detalhe na recomendação ao leitor é significativo: onde se lia “este fanzine”, lê-se agora “esta revista”. Algo se perdeu da vivacidade do azougue, junto com as HQs .

Dora Ferreira da Silva, citada pelo Bivar e pelo Rodrigo de Haro, que foi amiga do Celso Luiz Paulini, e do Piva, com certeza, recebe uma ampla homenagem neste número da Azougue – quase um encarte exclusivo, dentro do mesmo padrão utilizado pela revista: detalhes biográficos, depoimentos, entrevistas e muitos poemas. Mais conhecida como tradutora, animadora cultural nos anos 50-60, dirigiu revistas ( Diálogo, Cavalo Azul), e, destaca Azougue, é “representante daquela linhagem de poetas cuja obra se constrói na fronteira do sagrado”. Tao e Jung são suas referências. Talvez o mercúrio seja o seu metal predileto. Este tipo de matéria vale, creio, por um “manifesto”.

A sessão de inéditos neste número traz algumas novidades: inclui outros poetas novos, que circulam também nas páginas de Inimigo Rumor e de Medusa. Talvez todas essas mudanças revelem um novo caminho para Azougue, que parece abrir mão de algo daquela rebeldia. Esperemos pelos próximos números pra vermos o resultado dessa integração que se anuncia, talvez deslocada no tempo, talvez anacrônica,

 

 

 

Medusa

 

Medusa, a mais famosa das Górgonas e a única sujeita à velhice e à mortalidade, foi castigada por ter profanado o templo de Minerva ao entregar-se a Netuno junto ao altar. A deusa transformou-lhe os cabelos, sua única beleza, em horríveis serpentes. Em compensação, deu-lhe a virtude de tudo petrificar com os olhos. Perseu foi o indicado para matá-la, livrando assim o povo de seus poderes petrificantes. Cortou-lhe a cabeça, e do sangue que jorrou da cabeça decepada nasceram Pégaso e Crisaor. Perseu montou Pégaso e voou sobre a Lídia, e passou a levar a cabeça decepada em todas as suas aventuras. E das gotas de sangue que caíram da cabeça de Medusa, nasceram novas serpentes.

Tal como Minerva, que gravou a cabeça de Medusa em sua égide, a revista Medusa grava na capa do primeiro número e no logotipo escolhido fragmentos dos cabelos de Medusa pintados em quadro de Caravaggio. E diz em seu segundo edital: “Medusa segue em seu estratagema de parir Pégaso; desobediente, intuindo ser capaz de fazer nascer a imaginação, exalta a própria beleza plebéia e provocadora.”

Construindo um evidente conjunto de referências, que mistura mito e transgressão, imaginação, intuição e radicalidade, Medusa se apresenta com capas vistosas, muito coloridas, que chamam a atenção para essa revista editada em Curitiba, com muitos patrocinadores públicos e privados que garantiram a edição de 10 números[10], com boa qualidade gráfica, muitas páginas dedicadas às artes plásticas, estampando reproduções de trabalhos, desenhos, ensaios fotográficos, tudo muito cuidado, muito asséptico, contradizendo a crítica a uma pretensa assepsia da poesia brasileira contemporânea, disseminada em vários momentos da revista.

Todos os números de Medusa são apresentados por editoriais que, se não possuem claras características textuais dos manifestos, algo surge: resíduos de declarações de princípios e definição de antagonismos, como já mencionei, que se desdobram especialmente na atuação de seus editores como entrevistadores. A revista insiste em ser “contra algo”, um tanto difuso, que aparece sob a forma ou de uma “poesia asséptica”, ou de uma crítica que valorizaria tal “assepsia”. A recusa a essa limpeza, ou, se quisermos, a tal pureza, não se dá sob a forma de uma outra proposta poética, mas pela valorização de poetas que se inserem claramente numa tradição que trabalha com o obsceno, ou com a tradição fescenina, ou com a idéia de transgressão no campo dos costumes. Tal destaque, ou tal postura, pode ser lida no primeiro número de Medusa, que se abre com uma entrevista de Glauco Mattoso. Nas perguntas do entrevistador, um dos editores de Medusa e também poeta, pode-se constatar a preocupação em articular o discurso da transgressão, valorizando assim as palavras do poeta. Mas estas não deixam margem à dúvida: quanto mais permissivo é o contexto, menos eficaz é a transgressão. Reduz-se, assim, o potencial crítico. No caso específico de Glauco, pode-se dizer que a tensão entre a forma clássica do soneto e a total dessublimização temática e, digamos, lingüística, parece apontar para a busca de um potencial crítico, para a produção de algum elemento de constrição. Aponta para limites na própria poesia. No entanto, parece que as esperanças dessa revista, assim como as de Azougue, estão depositadas mais na figura do próprio poeta, em suas vivências, do que em seus exercícios poéticos. Todo o destaque é dado à entrevista, e as perguntas estão centradas nas relações do poeta com o mercado e com a crítica, tentando ressaltar uma certa marginalidade em relação a esses dois fatores. Em Medusa, o elenco de entrevistados, ou os destaques / dossiês de cada número reforçam a posição inicial. Como exemplo, temos Gary Snyder, o poeta beat norte-americano[11], Sebastião Nunes, Jerome Rothemberg[12], além obviamente de Paulo Leminski e Alice Ruiz. Seleção que fala por si só. E seleção que registra ainda a admiração, compartilhada com Azougue, pelo San Francisco Reinascense, com os créditos via Kerouac e Guinsberg.

Para não me alongar muito, vou destacar alguns pontos. Pode-se dizer que Medusa tem uma relação ambígua com a mídia: ao mesmo tempo que a acusa, não a recusa – uma postura talvez diferente em relação aos poetas entrevistados que simplesmente descartam a mídia como instância válida de reconhecimento. Há, nos poetas que fazem Medusa, um tom de queixa, – algo como amor e ódio, um tom ressentido entre ser, ou não ser, citado na Folha de São Paulo – este o grande desejo. Há mais queixa do que poesia nas páginas da revista.

O tratamento dado aos colaboradores e editores da revista parece reforçar esse desejo: uma espécie de míni-mas-nem-tanto curriculum vitae para cada aparição, chegando, em alguns casos, a ser maior do que, por exemplo, o do poeta homenageado (o do jovem tradutor, por exemplo, traz mais informações do que o do poeta traduzido). Reforça-se deste modo a ênfase na figura do poeta, inclusive e especialmente dos poetas que fazem a revista ou nela atuam, o que não deixa de constituir uma estratégia para lhes dar visibilidade. Estratégia que, diga-se, não acontece em Azougue e Inimigo Rumor. Aliás, pode-se dizer que esta última se insere no lado oposto: nenhuma informação sobre os autores publicados, numa quase total despersonalização. InimigoRumor destaca a poesia – e mesmo que se concorde como Ítalo Moriconi quanto à vocação canônica que apresenta – há algo de desierarquização no próprio modo de se estruturar a revista, que coloca lado a lado poetas cujos lugares no cânone, no tempo e no espaço são bastante distintos. Mas voltemos a Medusa.

As poéticas “radicais”, mencionadas e valorizadas por Medusa sem outros qualificativos ou especificações conceituais, não parecem refletir-se na efetiva seleção dos poemas publicados – afinal, o que é uma poética radical hoje? Se pensarmos num sentido historicizado desse uso, pode-se dizer que as poéticas radicais foram aquelas que levaram a experimentação de linguagem ao extremo, aos limites, e, porque não, às raízes mesmas da linguagem. Mas é pela força etimológica que talvez se possa ainda hoje entender o adjetivo radical: que tem raízes, que tem história, que se enraiza a uma tradição. Neste sentido, amplia-se o conceito de radicalidade, mas que, ao que tudo indica, está esvaziado em Medusa.

A busca de referências transgressivas ou radicais pode ser lida como um tipo de vocação canônica também aqui (e vale para a Azougue), no sentido de ficar bastante clara uma busca de referências, digamos, na história da poesia, mesmo que numa história recente ou até marginalizada. Se as vanguardas já são históricas, se sua institucionalização já lhes retirou todo potencial crítico e as elevou a norma, o mesmo se pode dizer das últimas formas de resistência dos 60 / 70, novos cânones.

O que parece ser visto, assim, como uma espécie de anti-cânone, é reivindicado, outrossim, como “cânone” marginal. Não por acaso, Glauco Mattoso remete a Marcial, publicado também em Medusa, assim como Roberto Piva remete a Breton e Eluard, em Azougue, inequívocos processos de legitimação. Ou, talvez, um desejo de busca de uma historicidade, senão perdida, muito ameaçada; um desejo de fincar raízes, enraizar-se. E de legitimar-se. E de obter reconhecimento, especialmente nas metrópoles.

Em alguns momentos, a busca de legitimação de Medusa parece não se dar exclusivamente pela reivindicação de uma tradição, algo como construir uma árvore genealógica que demonstre a nobreza da filiação, mas também pela presença de um centro legitimador, os EUA, reforçando as relações de poder em outros campos. A busca dessa legitimação se dá também pelas antologias bilíngües, um das quais na origem do lançamento de Medusa – disputa no campo, disputa de reconhecimento, construção de legitimidades num campo cosmopolita, parece ser o principal móvel, um tanto provinciano, diga-se.

Não faz mais efeito o discurso do despeito, do mal amado pela crítica, especialmente quando se trata tão genericamente o problema, se é que há um. As diatribes parecem demonstrar não uma oposição teórica, poética ou até de gosto – parece que os ataques, tal como são desferidos, revelam apenas o desejo de inclusão. Desejo de participar de uma lógica do sucesso, tal como no show bussiness – tipo, se eu for agraciado com umas linhas na Bravo, vou passar até a gostar da poesia neoparnasiana e pedante do Bruno Tolentino e passar a considerá-lo um poeta radical? Ou se a Folha de São Paulo me dedicar um espaço eu deixo de criticá-la? Ou se a crítica universitária (que nada tem de homogênea) escrever sobre minha poesia, mesmo que eu seja ainda um poeta quase iniciante, aí sim eu vou passar a valorizá-la? Ou seja, se meu poema não é bom, foi seu ouvido que entortou?            Mais uma vez a questão do valor se coloca, mas não se discute.

Apesar dos editoriais, das críticas ácidas e generalizadas contra a crítica, contra a universidade, contra a mídia, e usando palavras-chave para se referir ao contemporâneo como diversidade, imaginação, rigor, radicalidade, e tantas outras muitas vezes antagônicas, pode-se dizer que Medusa se debate entre o paradoxo de querer ser uma revista literária que exprime as posições de um grupo, e ao mesmo tempo não tem um perfil ou um projeto estético ou político claro, que vá além do desejo de projeção no campo literário. Talvez eu esteja sendo muito dura – afinal a revista é bonita... Mas isso basta?

 

Inimigo rumor

 

Já abordada em outras ocasiões, inclusive na última ABRALIC por mim e por Ítalo Moriconi, vou dedicar menos espaço à Inimigo Rumor, mesmo sendo ela a minha preferida. Distingue-se bastante das outras duas: como já disse, é a única que trata exclusivamente de poesia, desde o nome, referência a Lezama Lima, ou melhor, à poesia de Lezama. Não há nela “jornalismo” literário, ou aquele tipo de transmissão de informações sobre o poeta, sua visa, seus testemunhos estéticos, projetos, etc., que, saltando das páginas dos outros periódicos, poderia facilmente ser o roteiro de um programa de televisão, ou matéria de um telejornal. Trata-se, ao contrário, da veiculação até seca da poesia, que se dá à experiência do leitor sem nenhum tipo de adereço. No mesmo padrão hierárquico, surgem os textos críticos, ensaios que poderiam estar em qualquer revista acadêmica.

Abrigando tendências diversas, fazendo velhos antagonistas ocuparem as mesmas páginas – o caso mais evidente talvez seja Haroldo de Campos e Ferreira Gullar – a Inimigo Rumor constrói sua antologia, variada, plural, mas sempre dentro da “esfera culta”, em que a tradição de modernidade tem lugar especial. E, nela, não há lugar para conservadorismos, ou para a poesia neoparnasiana, como declarou o editor em recente debate sobre as revistas lietrárias contemporâneas.

Já mencionei o princípio de desierarquização e de despersonalização que parecem organizar a apresentação dos poemas e ensaios. Discreta, sem polêmicas, apenas no seu último número, ao justificar a homenagem especial a Cacaso, um de seus editores, o poeta Carlito Azevedo, faz alguns comentários críticos a respeito da cena cultural contemporânea. Atribui à “cegueira editorial brasileira para a poesia nacional” a inexistência de reedições da poesia de Cacaso e registra o interesse de muitos poetas novos em manter uma espécie de diálogo com a aquela poesia, em especial no que toca à “desrepressão da linguagem e valorização da experiência, talvez como antídoto ao excesso de oficialismo e academismo que ensaia, por essas bandas, um processo de ‘ressurreição brontossáurica’.”

De algum modo, fazendo-se canônica mas evitando o conservadorismo academicista, Inimigo Rumor põe em circulação variada fonte alimentar para poetas de variado gosto e ganha, assim, uma função educativa na formação de novos leitores. A prática e a valorização da tradução, presente nas três revistas, que reforça a reatualiza a tradição, parece ser um sintoma extremamente saudável de revitalização. Especialmente quando, como se lê na Inimigo Rumor, a tradução é a mais variada, não se limitando ao novo imperialismo do inglês: há poesia catalã, francesa, grega, clássica e contemporânea.

 

Algumas considerações insuficientes

 

Talvez seja difícil, hoje, não ser canônico – não porque o cânone tenha suficiente elasticidade, ou porque abarque tudo, o que contradiria a própria idéia de cânone, mas porque talvez a possibilidade de se atribuir valor, na ausência de regras prévias (no liberalismo, ou na cena liberal, a única regra parece ser a inexistência de regras, sendo tudo regulado apenas pelo mercado – a desregulamentação do comércio, a perda de barreiras alfandegárias, o mundo volátil dos mercados acionários e virtuais, mas que provocam crises nada virtuais) que en/informem a produção e a crítica (a situação atual parece ser de perplexidade), a possibilidade de atribuir valor parece estar unicamente na filiação erudita a algum antepassado assumido e com seu valor testado no tempo. De algum modo, a situação tanto da crítica como da criação hoje parecem estar pautadas pela permanência no tempo, pela busca de estabilidades além da moda, por critérios de valor já estabelecidos, mas não sem tensões entre a poesia como atividade autônoma e as coerções contemporâneas da sociedade de consumo. Felizmente, as águas não parecem tão calmas. Portanto, o momento parece ser o de buscar referências, o de buscar valores, mesmo que não consensuais; momento de buscar algumas estabilidades, a desejada mas talvez impossível solidez nestes tempos bicudos quando tudo que é sólido desmancha no ar, ou na rede de chips.

Se há diversidade ou pluralidade de formas possíveis, se não há efetivamente uma corrente hegemônica , que tanto enforme as novas produções como os critérios da crítica, surgem as defesas de uma intuição ou da imaginação como critérios – todavia, tal defesa, uma vez temperada, pelo retorno às tradições, deixa de lado qualquer possibilidade de uma retomada do espontaneísmo, ou da possibilidade de uma poesia que não se alimente de seu passado. Mas não de qualquer passado – e aí está a grande diferença ainda não resolvida.

Em recentíssimo artigo[13], Flora trata a produção artística brasileira a partir de uma idéia de variação de escala que pode, no caso da poesia publicada nessas revistas, ser facilmente constatada. O que me parece difícil afirmar, por enquanto, é o quanto o alongamento das formas poéticas em uso tem uma relação de contemporaneidade com toda a cena atual.

Talvez nos falte dar os nomes aos bois: depois dos 70, a volta à biblioteca é o dado novo – experiência poética, sem abrir mão do legado da tradição, que incorpora as poéticas experimentais dos anos 50/60. Isto é epigonismo? Não necessariamente e pode ser bem o contrário. Há que aguardar. Evitar ufanismos é saudável, repensar sempre criticamente também, apenas se trata de desmitologizar o novo, e de constatar que não há mais lugar para ingenuidades ou outras formas de escapismo.

 

ANEXO:

ür

AZOUGUE

INIMIGO

MEDUSA

Afonso Henriques Neto: 2;

Afonso Henriques Neto: 7;

 

 

Age de Carvalho: 7;

 

 

Alberto Girri: 7ª (trad, Aníbal Cristobo, Carlito, Marcelo P. Eufrásia)

 

 

 

 

 

 

Alice Ruiz: 8*

 

 

Allen Guinsberg: 4 (trad. Cláudio Willer / Ricardo Corona)

 

Antonio Machado: 8 (trad. Rita Moreira)

 

 

Antonio Risério: 4;

Antonio Risério: 9;

 

Apollinaire: 5 (trad. Massi);

 

Afonso Henriques Neto Armando Freitas Filho: 2*

Armando Freitas Filho: 1;

 

 

 

Arrigo Barnabé: 8;

 

Augusto de Campos: 2;

 

 

CACASO ;8*

 

Celso Luiz Paulini (apresentado por Antonio Bivar)1*;

 

 

Cláudio Willer: 4*

 

 

 

 

Cruz e Souza: 4;

 

Czeslaw Milosz: 6 (trad.Rubens Figueiredo);

 

 

Davi Antin: 4 (trad. Monique Balbuena)

 

Dino Campana¹ : 1* (apres. Murilo Mendes; trad. Alexandre Barbosa de Souza, Helder Perri Ferreira, Jorge Koshiyama, Maurício Ferreira e Sergio Cohn) 1;

 

 

Dora Ferreira da Silva: 4* (entrevista + antologia)

 

 

 

Duda Machado: 2; 6.

 

 

e.e. cummings: 7(trad. Augusto de Campos, inéd.);

 

 

Emily Dickinson: 6 (trad. Paulo Henriques Britto)

 

 

Eudoro Augusto: 5; 7; 8;

 

 

Federico Garcia Lorca: 8 (trad. Augusto Esteves)

 

 

Francis Ponge: 2 (trad. Michel Peterson e Ignácio Antonio Neis)

Francis Ponge: 4 (trad. Carlos Loria e ?)

 

Francisco Alvim: 1; 6*

 

 

Frank O’Hara: 7* (trad. Paulo Henriques)

 

 

Ferreira Gullar: 2*

 

 

Gertrude Stein: 5 (trad. Julio Castañon);

 

-

Glauco Mattoso: 7;

Glauco Mattoso 1*; 7;

-

-

Gary Snayder 1* (trad. Maurício Mendonça / Luci Collin/ Ricardo Corona)

 

George Oppen: 5 (trad.Ruy Vasconcelos)

 

 

Gonzalo Rojas: 5 (trad. Carlito + Cristobo)

 

 

Haroldo de Campos: 1; 5; 8;

 

 

Herberto Padilla(?): 8 (trad. Carlito/aníbal);

 

 

Henri Michaux: 4 (trad. Paulo Neves);

Henri Michaux: 2 (trad. Carlos Loria)

 

Jacques Roubaud: 1 (trad. Monique Balbuena); 7 (trad. Paula Grenadel);

 

 

 

Jerome Rothemberg: 5* (trad. Rodrigo Garcia Lopes)

 

Joachin du Bellay: 2 (trad. Júlio Castañon)

 

 

Joan Brossa: 2 (trad. Ronald Polito);

 

 

John Keats: 8 (trad. Julio Castañon Guimarães);

 

 

John Donne: 4 (trad. Paulo Henriques)

 

Jorge Hernández Campos: 2 (trad. Alexandre Ferraz/ Sergio Cohn)

 

 

 

José Emílio Pacheco: 8 (trad. Carlito)

 

 

José Lezama Lima: 1 (trad. Josely);

 

 

Konstantinos Kaváfis: 3 (trad. Henrique Cairus)

 

 

 

Laura Riding: 8* (trad. Rodrigo)

 

Louise Erdrich: 7(trad. Monique Balbuena)

 

 

 

Marcial : 1 (trad. Rodrigo G.L.);

 

Max Jacob: 1 (trad. Carlito);

 

 

Meleagro: 2 (trad. Henrique Cairus);

 

 

Michel André Berstein (?): 8 (trad. Monique Balbuena).

 

 

Michel Butor: 1 (trad. Júlio Castañon)

 

Michel McClure: 1 (trad, Sergio Cohn);

 

 

Paul Eluard¹, 1* (apresentado por Manuel Bandeira, s/créd.; trad. Piva, Vanessa Camargo, Sergio Cohn)

 

 

 

Paul Celan: 3 (trad. Vera Lins);

Paul Celan;4;

 

Paul Valéry: 1 (trad. Josely/ Júlio Castañon)

 

 

 

Paulo Leminski: 6*

Pedro Garcia: 4;

 

 

 

 

Pedro Xisto: 9*

 

Regis Bonvicino: 4;

 

-

René Crevel (prosa, sobre Lautréamont)

-

Roberto Piva 1*;

 

Roberto Piva: 3;

Robert Bringhurst: 4 (poeta canadense; entrevista; trad.

 

 

Rodrigo de Haro: 3*;

 

 

 

 

Rupert Brooke: 3 ( trad. );

 

Saint-John Perse: 1 (trad. Bruno Palma)

 

 

 

Sebastião Nunes: 3*

 

Sebastião Uchoa Leite: 1; 7*

 

 

 

Sever Sarduy: 5 (trad. Joca Reiners Terron).

 

Shakespeare: 4 (trad. Roberto Ferreira da Rocha);

 

 

Silviano Santiago: 2;

 

 

 

Sousândrade: 2;

 

Thomas Kinsella: 2 (trad. Viviana Bosi)

 

 

Umberto Sala: 4 (trad. Júlio Castañon)

 

 

Wallace Stevens: 8 (trad. Lu Menezes)

 

 

 

Waly Salomão: 6;

 

William Carlos Williams: 8 (trad. Paulo Henriques)

 

 

Zuca Sardhan: 3; 7; 8;

 

NOVOS

NOVOS

NOVOS

Ademir Assunção: 3;

 

Ademir Assunção: 7; 9;

Alberto Pucheu: 3;

 

 

Alexandre A: 2;

 

 

Alexandre Ferraz: 2; 3;

 

 

Alexandre Barbosa de Souza 1;

 

 

 

Andi Nachon: 7ª (trad. Anibal/Carlito);

 

 

 

Anelito de Oliveira: 10

 

Ângela de Campos

 

 

Ângela Melim: 7;

 

Anibal Cristobo: 4;

Anibal Cristobo: 3; 4; 8;

 

 

 

André Dick: 10

 

Arnaldo Antunes: 7;

 

 

 

Antonio Cícero: 5;

Augusto Contador Borges:4;

 

 

 

Augusto Massi: 4; 8;

 

 

Carlito Azevedo: 3; 8;

 

 

Carlos Ávila: 2;

 

 

Carlos Piera (?): 5 (trad.Adolfo M. Navas e Sérgio Alcides)

 

Carlos Tamm: 4;

 

 

Chantal Castelli: 4;

 

 

 

 

Cláudio Daniel: 10;

Danilo Monteiro: 1; 2; 3;

 

 

Davi Georges Khamis: 2;

 

 

 

 

Dennis Radünz:10;

-

Dora Ribeiro: 6;

 

 

Douglas Diegues: 6;

 

 

Eduardo Sterzi: 6;

 

-

-

Elson Fróes (?)1; 4; 10;

 

Fabiano Calixto: 7;

 

Fabio Wentraub: 3;

 

 

 

Felipe Nepomuceno: 3;

 

- Fernando Paixão: 4;

Fernando Paixão: 6;

 

 

Gisele Lessa Bastos; 8;

 

 

Guillermo Piro: 7ª (trad. Felipe Nepomuceno)

 

 

Guilherme Mansur: 4;

 

 

Háris Vlavianós (?): 5;

 

Heitor Ferraz: 3;

Heitor Ferraz: 3; 5; 8;

-

 

Ítalo Moriconi: 2;

 

Helder Perri Ferreira 1;

 

 

 

João Bandeira: 3;

 

 

 

Joca Reiners Terron (68/98)1; 10;

Jorge Koshiyama 1;

 

 

 

Jorge Salomão: 8;

 

 

Jorie Graham: 6; (trad. Arthur Nestrovski)

 

 

José Almino: 8;

 

 

Josely Vianna Baptista: 5;

Josely Vianna Baptista: 10;

Juliano de Fiore: 3;

 

 

 

Júlio Castañon Guimarães: 2;

 

 

Leonardo Fróes: 3;

 

 

Leonardo Martinelli: 4; 7;

 

 

Liliana Ponce : 7ª (trad.Aníbal/carlito)

 

 

Lu Menezes: 3; 5;

 

 

 

Luci Collin: 6;

 

 

Luis Dolhnikoff (?): 10

 

Luiz Alberto de Cuenca: 7 (trad. Carlito);

 

 

Manoel Ricardo de Lima: 8;

 

 

Marcelo Eufrásia: 3,

 

 

 

Marcelo Montenegro: 10;

Marcio Peçanha: 3;

 

 

 

 

Marcos Losnak: 3

 

Marcos Siscar: 3; 8;

 

 

 

Marília Kubota:10;

 

Mário Alex Rosa: 6;

 

 

 

Mário Bortolotto: 5;

 

 

Mario Henrique Domingues: 8;

Maurício Arruda Mendonça: 3;

 

Maurício Arruda Mendonça: 8; 10;

Maurício Ferreira 1; 2; 3;

 

 

Mauro Jorge Santos: 2;

 

 

 

Max Martins: 8;

 

 

Monique Balbuena: 3;

 

Osmar Portugal 1;

-

-

 

Paulo Henriques Britto: 2; 8;

 

Pedro Amaral: 3;

 

 

Priscila Queiroz Garcia: 1; 2;

 

 

 

Reynaldo Jimenez: 7ª (trad. Anibal/ Carlito/ Leonardo Martinelli

 

Ricardo Aleixo: 4;

Ricardo Aleixo: 6;

Ricardo Aleixo: 6; 10;

 

Ricardo Pedrosa Alves: 7;

 

Roberto Bicelli: 4;

 

 

 

 

Rodrigo Garcia Lopes: 9;

 

Ronald Polito: 1;

 

 

Rubens Figueiredo: 4;

 

 

Ruy Afonso Proença: 4;

 

 

 

Sabrina Bandeira Lopes: 10.

 

Sérgio Alcides:

 

Sérgio Audi: 2;

 

 

Sergio Cohn: 1; 2; 3:

 

 

 

Suzana Nunes de Morais: 3;

 

 

Tarso M. de Melo: 6;

 

 

Virna Gonçalves Teixeira: 8;

 

 

 

Vitor Ramil: 7*

 

Vivien Kogut: 4;

 

 

 

Wilson Bueno: 3;

 

Wislawa Szimborska(?): 8 (trad. Mariana Rawet / Carlito)

 

 

 

* destaque

¹ Bilíngües – trad. Sérgio Cohn, Vanessa Camargo

 – Sergio Cohn, Maurício Ferreira,Jorge Koshiyama, Helder Perri Ferreira

                        e Alexandre Barbosa de Souza; inclui apresentação por Murilo Mendes

 Sótradução: Sérgio Cohn

 

ª – mostra de poesia argentina

 

Robert Bringhurst: foi traduzido no Brasil por João Cabral e Silviano Santiago – tem poemas traduzidos na Quinzumbo.



[1] Como mais um sinal de que a poesia volta a ocupar certos lugares de destaque, lembro que, desde fins de 1999, o suplemento dominical da Folha de São Paulo assumiu “cara de revista” e andou estampando poemas inéditos em sua última página, como já o fizera seu antecessor dos anos 80. E, sem dúvida, a grande imprensa não abre espaços para formas mortas. De qualquer modo, estou apenas registrando sinais, sem entrar no mérito relativo ao que está sendo nela publicado.

[2] Entendo formação, aqui, no sentido que Raymond Williams dá ao termo e que, juntamente com os conceitos de instituição e movimento nos ajudam a pensar os processos de organização social da cultura.

[3] Devido à falta de numeração dos fascículos e à irregularidade da publicação, não tenho ainda informação completa quanto ao total de volumes publicados; sequer a data de publicação é mencionada nos créditos da revista.

[4] Este foi o primeiro exemplar de Azougue que encontrei numa livraria de São Paulo e que me foi apresentado como “número 1”. Ainda não fiz contato com os editores para ampliar / checar as informações.

[5] Poemas traduzidos por Sergio Cohn, editor.

[6] Poemas traduzidos por Roberto Piva e pelos “azougueiros” Vanessa Camargo e Sergio Cohn.

[7] Ainda não me detive na análise de todo o material poético e seria temerário avançar agora neste terreno

[8] Azougue capa-preta deve ser de final de 99 ou início de 2000: faz referência, por exemplo à Cult 22, de maio de 99.

[9] Este tema também aparece em Medusa.

[10] Não há garantia de continuidade por enquanto – os editores estão buscando novos patrocínios para a “próxima dentição”, como diz seu editor, Ricardo Corona.

[11] Embora o ensaio e a nota introdutória reforcem a inserção histórica de Gary Snyder, o poeta enfatiza, na quase lacônica entrevista – 102 linhas do entrevistador, 61 do entrevistado – , seu modo zen de viver e sua atual militância ecológica e religiosa na vida comunitária. Poemas traduzidos por Maurício Mendonça, Luci Collin, Ricardo Corona.

[12] Poemas traduzidos por Rodrigo Garcia Lopes, membro do conselho editorial da revista, que também traduz e apresenta a poeta americana Laura Riding.

[13] SÜSSEKIND, Flora. Escalas e ventríloquos. Mais! Folha de São Paulo. 23 de julho de 2000, p. 4-11.